
Há tempos que eu conheço a Cascadura - na verdade, nem tantos assim, pois seria o Dr. Cascadura. Mas, para a minha idade de bebê no rock n' roll - minha idade é quase a idade da banda -, os três anos que ouço Cascadura não é pouca coisa. Comecei a ouvi-la no primeiro ano colegial, quando meu amigo Argôlo me apresentou a banda com uma coletânea que ele gravou num cd. Ainda não tinha saído o Bogary - eu acho - e as músicas do cd eram, na maioria, do penúltimo álbum da banda: Vivendo em Grande Estilo. Retribuição. Sparkle Girl. A Mãe da Garota. Ave maria! Eu, que comecei a ouvir rock com bandas internacionais - Nirvana, Metallica, Guns n` Roses e Deep Purple -, não conseguia entender como uma banda daqui de Salvador poderia ser tão boa assim. Cabeça fechada de adolescente enlatado - até hoje sou um pouco assim na música, bem mais tênue, claro. Eu poderia dizer que foi com a Cascadura que eu comecei a me interessar pelas bandas de rock aqui da cidade e, posteriormente, as do Brasil. Eu pensava: Porra! A poucos quilômetros de distância da minha casa vai ter um show de rock, aquele rock que ouço nos cd's. Isso... Então eu ia! Acho que o período que eu mais fui pra shows até hoje na minha vida foi no segundo ano colegial, em 2007. Eu me enfiava nas casas de show embaixo da terra (ou da cena: underground) nos fins de semana enquanto meu amigos iam aos barzinhos tomar uma e paquerar, iam ao cinema com meninas - desconhecidas ou não- e quando iam pra shows, iam pra shows em cima da terra (ou da cena: "aboveground"). Foi a Cascadura, portanto, que me abriu caminhos para o interesse do mundo musical underground de Salvador.
Quanto àquele cd que Argolo me deu, o resultado auditivo foi sensacional. Além de ter músicas do Vivendo em Grande Estilo, também tinham músicas do primeiro e do segundo cd, tais como Nicarágua. "Quando eu chegar na Nicarágua, mando um cartão-postal pra ela (...)". Esse refrão era, e ainda é, magnífico. Arranjo simples, vocal simples, tudo simples... A forma que os deixam maravilhosos. Eu, que estava acostumado a ouvir no rock aqueles ruídos de guitarra que pareciam deixar a música complicada - mas, na verdade, a deixava suja -, me encantei pelo poder da forma musical que as músicas daquele cd tinha.
Contei um pouco da minha relação inicial com a Cascadura para contar do show que eu e - adivinha quem? Argôlo! A-ha! (sic) - fomos ontem lá no World Bar. Acabamos encontrando um velho amigo nosso no show também: Felipe. Ontem foi sensacional! Não estava nem ligando para o som - que não estava muito bom -, tava relembrando da época que eu comecei a ouvir a banda, da época que eu escrevi acima. Foi um misto de alegria e nostalgia. Músicas fantásticas e melódicas... E Fábio cantando com todo aquele jeito Creedence de cantar! E mais que isso: com todo o seu amor pela Cascadura, que está tatuada na sua pele. Ontem, vivi momentos fanstásticos com a primeira saideira (haha) da Cascadura. Eles vão encerrar a turnê do Bogary para produzirem cd novo e um dvd. Acredito que é a hora mesmo. Ainda pode-se extrair muita coisa boa dessa banda. A saideira acaba, mas não acaba. As músicas do Bogary e as do outros cd's sempre estarão na memória de todos que admiram a Cascadura. Estou esperando pelo cd novo da banda que me iniciou um período da minha vida, não só musical como também psicológica e ideológica. E que seja bom!

Um comentário:
a culpa é toda minha, eu sei!
ahuahuahuahaua
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