
Foto: Lorena Vinturini
Ao olhar essa foto de Ló, sabia que poderia extrair dela algo literário. Só não sabia o quê. Pensei em coisas que a gente tranca com amor, pensei no amor quando é trancado... Sempre atribuindo metaforicamente o amor à rosa. Agora - agora mesmo - penso no amor pendurado quando trancamos algo. A deriva do amor nos trancamentos da vida, é isso! Vem em mente agora o meu pensamento sobre a foto! O bom do pensamento é esse: cada um pode ter o seu e ninguém tem razão quando o discorda. Nosso pensamento é único, é privado. Parafraseando Renato Russo: não estatize meus pensamentos.
Devemos ter cuidado com os nossos trancamentos, nossos fechamentos de ciclo, nossas aversões à pensamentos e preconceitos com novas possibilidades, pois elas podem nos privar do amor. O amor nos abre os horizontes da realidade e nos permite sonhar, idealizar e sentir. Viver somente a realidade não nos cabe. O amor existe para que sejamos abertos ao mundo espiritual e transcedente. Trancar, quase sempre, não é uma boa opção. As correntes, o cadeado e a chave nos priva de entrar no portal da nossa essência. Nos priva de entrarmos em nós mesmos, nos nossos inconscientes. Por isso, devemos ter cuidado nessas nossas fechadas na vida. Elas podem deixar o amor à mercê do acaso, da ventura. Será que vale a pena pendurar o amor? Arriscar o amor? Arriscar as novas possibilidades de vida sem sequer conhecermos?

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