
É uma crônica. É engraçada. Ou não.
Ontem, a partir das 4:30 da tarde, o dia começou a ficar instável. Eu, Matheus e Argolo fomos esperar o buzú passar no ponto daqui da Paulo VI. Íamos encontrar com Luciano para depois assistir aos shows lá na Praça da Cruz Caída. Esperamos, ligamos para convidar Sheep – ele recusou, para variar – e, depois de meia hora, aparece um buzuzinho frio e caro – quatro reais - que ia para Barra. Com o receio de não aparecer outro buzú com o mesmo destino, pegamos o tal. Quando passamos pela catraca, surgiu o mesmo pensamento na cabeça dos três: e se vier agora o buzú normal, rei? Dito e feito. Não deu nem um minuto para o vermelho grandão da BTU ser avistado por nós. Pois é, tínhamos acabado de perder dois reais. Aproveitamos, porém, da cadeira acolchoada e do ar condicionado que os dois reais a mais nos proporcionaram.
Encontramos-nos com Luciano lá no Habib’s perto do shopping Barra. Matheus queria comer nessa porcaria. Ó que maravilha: domingo à tarde, ouvindo Calypso e vendo Faustão, fechados dentro do Habib’s. Entre esfihas e limões, não era nem a voz sufocada de Faustão que chamava atenção. Era o amontoado de ratos que estava reinando numa tela de quarenta e tantas polegadas em frente a nossa mesa. Que massa para o povo que estava comendo lá, né? Comendo e vendo ratos comendo, também. E nem para dizer que o pessoal da loja não se importou. O gerente – logo ele – passou pela frente da televisão e parou do lado da nossa mesa. Eu pensei que ele ia perguntar se aquela cena estava incomodando, ou, simplesmente, mudar de canal. Não que eu tenha pavor a ratos, mas estava ridícula a cena – e eu nem estava comendo. Pois é, demoraram alguns minutos para ele dizer fascinado: “Venha ver, fulano! O mundo dos ratos!”. Ai, ai. Senti uma raiva daquela frase. Queria jogar uma esfiha na cara dele, mas me contive. E ele e fulano ficaram lá observando o mundo dos ratos, paralisados. Eu também.
Entre ratos, esfihas e letras fantásticas do Calypso, Marcelinho não chegava. Ele tinha saído de buzú há quase uma hora do estúdio, onde estava ensaiando, para nos encontrar no Habib’s ou no shopping Barra. Ligamos oito vezes para o moicano e ele não atendia. O show estava passando e nada de Marcelinho aparecer. Mas, no limite da paciência, ele nos liga. Estava correndo no meio da rua para chegar ao shopping Barra. Quando, enfim, nos encontramos, queríamos bater nele. Mas aí eu pensei. O cara veio de um estúdio lá da Pituba para pegar uma carona e assistir ao show conosco. Sinceramente, é raça. Para nos movimentar sem carro (aqui é para transporte mesmo, ok?) nessa cidade violenta é complicado. Ainda mais para assistir aos shows alternativos, que cada vez acontecem mais longe de nossas casas. Agora quem diz sou eu: esse sim é o mundo dos ratos. E olhe que Marcelinho está parecendo com um rato, ao fazer esse penteado moicano.

Um comentário:
hahahahaha
e ainda pegamos o ingresso por 10 reais!!!
se eu não tivesse chegado atrasado,
ahh deixa pra lá...
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