domingo, 4 de janeiro de 2009

Ninguém é de niguém!


Na passagem das ultimas décadas, o sexo teve uma abertura nas mentes dos jovens. As jovens, principalmente, tiveram os seus medos com relação aos mitos do processo sexual esfacelados. A perda da virgindade não é mais um assunto cerimonial. O primeiro beijo na boca não é tão significativo quanto antigamente. A submissão das mulheres com os homens não está mais evidente. A mulher se emancipou. A mulher ganhou voz, ou melhor, gozo. Mas toda vez que a gente ganha algo, a gente perde outro. Será mesmo que essa liberdade sexual trouxe apenas benefícios?
O feminino e o masculino perderam amor nas relações. A materialização do ser humano é um reflexo da perda amorosa entre os casais. De que vale ter independência e liberdade sexual se o amor está sendo posto a escanteio? Com certeza, elas foram usadas de forma equivocada. Desde quando ter independência sexual é desrespeitar o sentimento alheio? A traição é um dos grandes exemplos dessa falsa independência. Não que ela só exista por causa desta. Até porque a traição existe desde o tempo de meu tataravô. Hoje, porém, ela é mais explícita e – pior de tudo – é justificada. As desculpas para a traição, o chifre, o adultério é justamente ela: a independência sexual. Dá nojo ouvir que a desculpa para a traição é: “Ninguém é de ninguém! Chega de prisão. A época de namorinho de portão já era!”.
Nem como antes, nem como agora. Enquanto no tempo dos nossos avós o sexo não tinha abertura, hoje, no nosso tempo, ele se escancarou e se abriu de vez à materialização e ao desrespeito das relações entre casais. Mais uma vez liberdades e independências foram usadas de maneira grosseira, radical e equivocada na história do país. Dessa vez, porém, elas atingiram o sentimento mais precioso: o amor. O que era de enorme proibição no início do século passado, hoje é banal. Falar sobre sexo atualmente é comum – tão comum que chega a perder o encanto. O excesso de instrução sexual – incluindo dicas, posições e preliminares – em revistas é medonho. O assunto é transar e saber como transar. Com quem e com que vontade, não importa. O amor? Ah, nisso não se fala.

Um comentário:

Carlinhos disse...

Grande tema e excelente opinião, Fabinho.
Realmente os costumes mudaram (não gosto de dizer evoluíram porque é muito relativo) bastante nas últimas 4 décadas.
Atualmente somos multi-tarefas (como o Windows): fazemos várias coisas ao mesmo tempo e temos que fazê-las cada vez mais rapidamente para não perdemos tempo. Isso é muito sério. Se tornou um hábito social. E com as relações amorosas não tem sido diferente. E, por causa disso, se faz sexo muito cedo em um relacionamento. Depois do sexo tudo muda. Casais com 3 meses de namoro já vivem como pessoas casadas (e casamento é muito difícil). E então quando se casam, separam rapidinho.
Acho que uma alternativa é a cumplicidade e o companheirismo mas isso leva tempo para construir.
Você já leu '1968: o ano que não terminou' de Zuenir Ventura? Se não leu ainda, pegue agora.
No início do livro ele enumera porque 68 foi um ano de mudanças e a última razão é: as pessoas pararam de ler com a chegada da TV a cores ao Brasil. Imagine agora, com TV e computador...
Percebo que hoje ninguém tem mais um ideal pelo qual se mobilizar, protestar, pensar em propostas e, por isso, o pensamento do jovem brasileiro está estagnado.

A humanidade é sábia. O ser humano, não.

Continue pensando.
Forte abraço,
Carlinhos.