domingo, 9 de novembro de 2008

A ampulheta nossa de cada dia




Eu tenho alguns traumas com relação ao tempo. Já tive, muitas vezes, que trabalhar a mente para me concentrar no agora. A dispersão, às vezes, impregna-se em mim e me deixa maluco. Começo a pensar demais, a me confundir demais e acabo me desgastando. A solução para isso não acontecer é a concentração. Pensar no agora e desfrutar do momento – seja ele qual for – é um ótimo exercício, no qual o presente é vivido intensamente e a vida se renova a cada segundo.
Estive pensando nisso há uns dias e resolvi escrever isso aqui. Garantir tranqüilidade é necessária muita concentração e isso as crianças têm em demasia. Observar um pássaro voando, uma reportagem na televisão e uma conversa entre pessoas, exigem concentração para absorver os seus conteúdos, e os mais velhos têm dificuldade com isso. E, portanto, a correria dos nossos dias impede o exercício da concentração em cada instante. Precisamos, também, abandonar os relógios digitais e até mesmo os analógicos. Temos que voltar aos primórdios e a usar a arcaica ampulheta. A areia que escorre lentamente dentro dela, deixa a impressão que o tempo passa muito devagar.
Eu usei da ampulheta para medir o tempo durante um ano, quer dizer, eu e mais uma pessoa. Embora a pressa que esse ano exigiu, nossos tempos juntos tornaram-se transmissões em câmera lenta. A ampulheta nossa de cada dia nos ajudou bastante e conservou cada grão de areia que escorreu nas nossas vidas. Ela me fez acreditar que o chavão “viva a vida intensamente” pode realmente acontecer, porém, não facilmente. Como já disse, é necessária muita concentração para viver olhando as horas na ampulheta e sentir um ano cronológico passar como se fossem dez anos.
Proponho, portanto, a todos utilizaram da ampulheta para contar o tempo que levam ao lado de uma pessoa pelo menos uma vez na vida. Fazer isso é como se os desejos se realizassem a cada instante e o dia se tornasse presente e futuro. A concentração nos grãos de areia que escorrem na ampulheta me fez abrir a mente para perceber que o pulso ainda pulsa.



2 comentários:

Unknown disse...

muito legal binho!
vejo progresso em seus textos cada vez mais...e salve salve a velha ampulheta!
abraço

Lorena Vinturini disse...

os grãos de Guarajuba geraram frutos preciosos e correm por nossa ampulheta há mais de 1 ano...
É maravilhoso estar com você!