segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Retirantes por 4 dias




Na véspera do feriado da Semana Santa, a aula de física não podia demorar nem mais um segundo. Estava com uma ânsia para sair correndo do colégio, chegar em casa, tomar um banho, pegar a mochila e me mandar para a rodoviária. Eu, Ló, Marcelinho, Dhara, Catatau, Talula, Macaulin e Simone íamos viajar para a Chapada Diamantina – especificamente para o Vale do Capão. Foi um alívio quando a aula terminou – que por sinal não rendeu nada. Quando cheguei à rodoviária, o espírito expansionista instalou-se em mim. Estava pronto para abandonar o agito da cidade e repousar tranqüilo no Capão – lugar que até então era desconhecido para mim.
A viagem rodoviária foi cansativa, mas recebi beijos e palavras carinhosas de minha namorada durante as 8 horas de trajeto. Estávamos curtindo cada parada do ônibus, cada buraco na estrada, cada paisagem linda e cada desejo de liberdade. Ficamos grudados a viagem inteira até o buzú parar em Palmeiras para pegarmos uma caminhonete e chegarmos ao Vale. Às 11 da noite, atracamos no camping debaixo de chuva e tentamos armar as barracas num breu total, quer dizer, tínhamos duas lanternas com o alcance de 30 centímetros... Chega! Isto aqui está parecendo a carta de Pero Váz Caminha quanto aos detalhes típicos de um diário de bordo. Não vou mais narrar as mínimas coisas da viagem, vou relatar a grandeza e a sorte de estar num lugar tão bonito com pessoas queridas.
Acordar no chão da barraca e olhar para a rocha imensa encoberta de neblina, que estava em minha frente, foi ter acreditado na paz que está ausente nas relações urbanas. Elas destroem a nossa tranqüilidade e nos faz vítimas da rapidez mórbida na qual estamos acostumados. Eu parecia estar dormente no meio de tanta paz! Ah... Mergulhar nas águas geladas das cachoeiras foi maravilhoso. Além de amaciar a pele e o cabelo, elas amaciam o corpo e a alma.
Os indivíduos que viajaram comigo também me amaciaram bastante. Retirar-se da cidade por 4 dias a fim de extirpar a cobrança mesquinha do 3° ano com amigos e amigas foi, sem dúvida, dar crédito à minha liberdade. Às vezes o nosso ego dita as normas de conduta quanto à responsabilidade e ao compromisso com os estudos escolares. Às vezes temos que ultrapassar o nosso ego e fugir, de mente aberta, para o desconhecido!



2 comentários:

Anônimo disse...

E não achamos o líquido cefalorraquidiano.. =/
mas só quem tomou o velho café na toca sabe do que tou falando!

Anônimo disse...

assim que nos livrar-mos desse 3o ano infernal estaremos de volta!!!
enquanto isso só nos resta uma vizita no quintal e um banho de chuveirão...