quarta-feira, 25 de março de 2009

Nostalgia sem razão



(Pensamento filosófico, ou seja, para apenas ser refletido. Ou melhor, para apenas nada...)


Qual é o segredo do passado?
Às vezes, desejo viver o passado
Viver um passado que não foi meu
Sinto até nostagia dele

Revolução, guerra e liberdade
Passado de conquistas humanas
e de tragédias desumanas
Havia movimento nele

Fluxo de idéias, atitudes decisivas
Ah, como eu queria estar lá
no momento exato da mudança
do choque entre o novo e o velho

O presente precisa se mexer
Precisa ser refutado
Chega de ciência, de razão
Eu quero é filosofia!


(Pensamento filosófico. Ou seja, para apenas ser refletido. Ou melhor, para apenas nada...)



I just wanna satisfaction...

quarta-feira, 4 de março de 2009

Isso é Rock?


Foi isto que Luciano me perguntou: "Isso é rock?" (não reparem a bricandeirinha ocasional com os pronomes). Num domingo do mês passado tocamos no Dubliners Irish Pub, lá na Barra, e ele foi ver o nosso show junto com outros amigos e amigas nossas. Mas, para assitir ao nosso show, eles e nós, também, tivemos que assitir a várias outras bandas que tocaram antes da nossa - pois é... Nós ainda não tivemos a oportunidade de tocarmos sozinhos e de, quanto menos, ganhar para isso. O fato foi que, durante o show da banda antecessora à nossa, Luciano foi me ajudar a pegar a guitarra e acabou fazendo aquela pergunta sarcástica.
A cena underground do Rock soteropolitano é produtiva. Mas, quando se trata de bandas novas com integrantes novos também, a cena é deprimente - exagero -, ou quase isso. As bandas não têm técnica, educacão muscical e, nem sequer, objetivos com a música. Elas se preocupam mais com a aparência que o som, com a quantidade de "fãs" que o repertório e com a platéia mais que a harmonia da banda. Outra observacão é o fanatismo por shows, por fazer shows. Têm umas bandas iniciantes que fazem mais shows que ensaiam. É isso que eu digo, e escrevo: falta objetivo com a música, caramba!
Rock para mim não é gritar no microfone, lotar a casa de show nem solar durante dez minutos com uma linda guitarra. Rock é som bom, é música com vigor e atitude, é estilo!

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Guitarra e supermercado




Há uns dias atrás fomos ensaiar no estúdio de Rafael, dentro do “nobre” bairro que é a Pituba. Cheguei mais cedo que todo mundo, mais cedo até que o próprio Rafael, o dono do estúdio. Estúdio trancado. Domingo. Rua vazia. Tudo fechado. Nada aberto para um jovem guitarrista à espera de um ensaio que iria começar a meia hora. Eu, com a guitarra na mão e mochila nas costas, não tinha como ficar sentado no meio-fio. Sabe como é a violência... Ainda mais nessa época do ano, em que a carência econômica grita ainda mais por causa do carnaval. A segregação que há nessa festa desperta em todos os segregados a vontade de entrar, também, no camarote do Othon – vestindo aquela roupa nova que compramos só para o carnaval -, de vestir o abadá do Camaleão e de, até mesmo, bancar uma viagem para longe da folia.
Pois é. Tinha um supermercado, que era o único local aberto na área. Fora isso só tinham lojas trancadas e protegidas com grades metálicas e condomínios com suas guaritas e câmeras para assegurar a proteção dos moradores. Senti-me como um excluído, então corri para o supermercado. Fui para o fundo dele, sentei-me e coloquei a guitarra no chão (foto acima). Foi aí que o assunto do carnaval voltou a ser questionado. Após ter tocado na rádio Madeilene Peyroux e Audioslave, a monofonia do Axé deu o som da desgraça no local.
Pessoas saqueiam e gastam dinheiro com roupas novas, maquiagem, cabelo, camarote e abadá para ouvirem Axé o dia inteiro durante sete dias? Não, não. Acho que ninguém faz isso simplesmente para ouvir Axé. É convenção. É padrão. Está na semiótica do baiano participar da folia carnavalesca. É que nem o lema do Festival de Verão: “Eu, você, todo mundo lá”.
Bem... Saindo do supermercado, fui ensaiar com os caras. E lá estávamos nós, tocando Rock em Salvador.


Obs.: Não quero que ninguém saqueie alguém para ir a nenhum show de Rock aqui em Salvador, quanto menos no nosso que será domingo, no Irish Pub (Barra).

domingo, 4 de janeiro de 2009

Ninguém é de niguém!


Na passagem das ultimas décadas, o sexo teve uma abertura nas mentes dos jovens. As jovens, principalmente, tiveram os seus medos com relação aos mitos do processo sexual esfacelados. A perda da virgindade não é mais um assunto cerimonial. O primeiro beijo na boca não é tão significativo quanto antigamente. A submissão das mulheres com os homens não está mais evidente. A mulher se emancipou. A mulher ganhou voz, ou melhor, gozo. Mas toda vez que a gente ganha algo, a gente perde outro. Será mesmo que essa liberdade sexual trouxe apenas benefícios?
O feminino e o masculino perderam amor nas relações. A materialização do ser humano é um reflexo da perda amorosa entre os casais. De que vale ter independência e liberdade sexual se o amor está sendo posto a escanteio? Com certeza, elas foram usadas de forma equivocada. Desde quando ter independência sexual é desrespeitar o sentimento alheio? A traição é um dos grandes exemplos dessa falsa independência. Não que ela só exista por causa desta. Até porque a traição existe desde o tempo de meu tataravô. Hoje, porém, ela é mais explícita e – pior de tudo – é justificada. As desculpas para a traição, o chifre, o adultério é justamente ela: a independência sexual. Dá nojo ouvir que a desculpa para a traição é: “Ninguém é de ninguém! Chega de prisão. A época de namorinho de portão já era!”.
Nem como antes, nem como agora. Enquanto no tempo dos nossos avós o sexo não tinha abertura, hoje, no nosso tempo, ele se escancarou e se abriu de vez à materialização e ao desrespeito das relações entre casais. Mais uma vez liberdades e independências foram usadas de maneira grosseira, radical e equivocada na história do país. Dessa vez, porém, elas atingiram o sentimento mais precioso: o amor. O que era de enorme proibição no início do século passado, hoje é banal. Falar sobre sexo atualmente é comum – tão comum que chega a perder o encanto. O excesso de instrução sexual – incluindo dicas, posições e preliminares – em revistas é medonho. O assunto é transar e saber como transar. Com quem e com que vontade, não importa. O amor? Ah, nisso não se fala.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Marcelinho e o mundo dos ratos


É uma crônica. É engraçada. Ou não.

Ontem, a partir das 4:30 da tarde, o dia começou a ficar instável. Eu, Matheus e Argolo fomos esperar o buzú passar no ponto daqui da Paulo VI. Íamos encontrar com Luciano para depois assistir aos shows lá na Praça da Cruz Caída. Esperamos, ligamos para convidar Sheep – ele recusou, para variar – e, depois de meia hora, aparece um buzuzinho frio e caro – quatro reais - que ia para Barra. Com o receio de não aparecer outro buzú com o mesmo destino, pegamos o tal. Quando passamos pela catraca, surgiu o mesmo pensamento na cabeça dos três: e se vier agora o buzú normal, rei? Dito e feito. Não deu nem um minuto para o vermelho grandão da BTU ser avistado por nós. Pois é, tínhamos acabado de perder dois reais. Aproveitamos, porém, da cadeira acolchoada e do ar condicionado que os dois reais a mais nos proporcionaram.
Encontramos-nos com Luciano lá no Habib’s perto do shopping Barra. Matheus queria comer nessa porcaria. Ó que maravilha: domingo à tarde, ouvindo Calypso e vendo Faustão, fechados dentro do Habib’s. Entre esfihas e limões, não era nem a voz sufocada de Faustão que chamava atenção. Era o amontoado de ratos que estava reinando numa tela de quarenta e tantas polegadas em frente a nossa mesa. Que massa para o povo que estava comendo lá, né? Comendo e vendo ratos comendo, também. E nem para dizer que o pessoal da loja não se importou. O gerente – logo ele – passou pela frente da televisão e parou do lado da nossa mesa. Eu pensei que ele ia perguntar se aquela cena estava incomodando, ou, simplesmente, mudar de canal. Não que eu tenha pavor a ratos, mas estava ridícula a cena – e eu nem estava comendo. Pois é, demoraram alguns minutos para ele dizer fascinado: “Venha ver, fulano! O mundo dos ratos!”. Ai, ai. Senti uma raiva daquela frase. Queria jogar uma esfiha na cara dele, mas me contive. E ele e fulano ficaram lá observando o mundo dos ratos, paralisados. Eu também.
Entre ratos, esfihas e letras fantásticas do Calypso, Marcelinho não chegava. Ele tinha saído de buzú há quase uma hora do estúdio, onde estava ensaiando, para nos encontrar no Habib’s ou no shopping Barra. Ligamos oito vezes para o moicano e ele não atendia. O show estava passando e nada de Marcelinho aparecer. Mas, no limite da paciência, ele nos liga. Estava correndo no meio da rua para chegar ao shopping Barra. Quando, enfim, nos encontramos, queríamos bater nele. Mas aí eu pensei. O cara veio de um estúdio lá da Pituba para pegar uma carona e assistir ao show conosco. Sinceramente, é raça. Para nos movimentar sem carro (aqui é para transporte mesmo, ok?) nessa cidade violenta é complicado. Ainda mais para assistir aos shows alternativos, que cada vez acontecem mais longe de nossas casas. Agora quem diz sou eu: esse sim é o mundo dos ratos. E olhe que Marcelinho está parecendo com um rato, ao fazer esse penteado moicano.

domingo, 21 de dezembro de 2008

Papai, me dá um carro?



Ave Maria! A quantidade de mini-adultos de minha idade querendo ganhar um carro do papai é gritante. Além de marcarem presença no meu ciclo de amigos, todo lugar que vou encontro um deles. Tem uns que desejam o carro para ter mais “liberdade” e não abusar os pais quanto aos pedidos de busca em plena madrugada. Mas, a maioria quer o carrinho para “facilitar” a conquista feminina.
Há, de fato, uma doente necessidade automobilística desses jovens para com os relacionamentos “amorosos”.
Veja só... Ganhar um carro para poder ir às boates na hora em que bem entenderem e, com isso, oferecerem carona às mulheres depois da festa para poderem dar o intitulado xeque-mate. Isso é desejo? Isso é vontade? Isso é necessidade? Que porra é essa? Vocês precisam de um carro para tal feito? Precisam deixar audível o ronco do motor para chamarem a atenção das mulheres?
Tá, tudo bem. Faço de conta que entendo essa necessidade. Mas, de vez em quando, penso no “tipo” de mulher que eles atraem. O carro, para os filhinhos de papai, não é um meio de transporte. É um meio de poder sobre certas mulheres. Que “tipo” de mulher é conduzida ao xeque mate só por causa do carrinho do rapaz? A futilidade feminina é párea à necessidade automobilística dos homens. Quantos mais surgem mini-adultos de carro, surgem mini-adultas de butuca nos carros.
Nossa sociedade é tão apegada a matérias que chega a dar vergonha. Não é possível entender a cabeça de um indivíduo que deseja um carro para atrair, beijar e transar – ou dar o xeque mate – com essas mulheres. Eu, particularmente, não entendo nossa sociedade.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Humanize-me!




Em pleno mês de novembro, faltando algumas semanas para a segunda fase da federal, Rambo faz um apelo a Argôlo. Estávamos assistindo à aula de Português e fazendo algumas questões de interpretação de texto quando Rambo exclama: “Argôlo, por favor, me humanize!”. Ele estava do meu lado e tinha acabado de errar a questão que ele demorou um tempinho para fazer e que, diga-se de passagem, ele fez resmungando. Dizia que não tinha a mínima vocação para fazer questões subjetivas de português e ainda mais aquelas que têm um cunho social de proteção aos oprimidos. E, para concluir, desabafou: “Eu não tenho a mínima paciência para pensar nessas coisas humanas e subjetivas, eu quero coisas exatas, óbvias!”
Argôlo, portanto, riu. Eu também. Porra... Querer humanizar um menino de 18 anos para a prova da federal, que é daqui a uma semana, é uma missão impossível e extremamente relativa. O que é humanizar? Argôlo é humanizado? Eu sou humanizado?
Nós sabemos o que significa, mas não conseguimos expressar o conceito certo. Uma coisa, porém, é certa – ou melhor, óbvia. Para fazer a redação e responder às questões de português da segunda fase da federal é necessária uma visão humanista. Mas, como nem todo vestibulando tem uma visão humanista e até mesmo nem sabe do que se trata, os professores “ensinam” essa visão na sala de aula. O professor de redação tem um papel fundamental, que é abrir nossas cabeças para pensar no ser humano. E, na verdade, o que acontece é que os alunos “aprendem”, na sala de aula, o que seria essa visão humanista do mundo, mas, não incorporam na vida. É um aprendizado bem efêmero, como o quase todo passado pelos professores durante este maravilhoso terceiro ano escolar.
Sim, a resposta de Argolo foi interessante. Ele respondeu aconselhando Rambo a escrever na prova tudo o que ele acha errado. Foi uma resposta bem grosseira e radical - para falar a verdade, Rambo não é esse crápula todo – mas, foi engraçada. Tirando todas as coisas que ele preconizada e pensa – desde a reencarnação de Robespierre e de Plínio Salgado até a aversão ao Estado Comum -, ele usou uma camisa de Che Guevara há uns dias atrás. Não estou julgando ele por isso, mas já é um avanço... Acho que Rambo um dia irá se humanizar, ou não.