segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Entra e sai; vai e vem: dialética




Estou aqui escrevendo para refazer minha última postagem.
Não sei mais se vida e felicidade caminham juntas. Vida é muito maior:
felicidade, sofrimento, ansiedade, dúvida, tristeza, alegria. 
Quando escrevi a postagem anterior, estava muito influenciado
pelo pensamento platônico idealista... "felicidade é questão de ser"...
será? 
Penso, hoje, que é impossível alcançar a felicidade plena e contínua. 
Isso não é um desencanto com o mundo... pelo contrário... é perceber
que vivemos muito mais num mundo de contingências que num de certezas.
O acaso, a ventura, a sorte... são muito mais fortes que nossos projetos, quereres
e desejos. 
Vida é vai e vem... é entra e sai.... é alto e baixo.... é luz e escuridão.... é ganhar e perder. 
Para isso, a força vem do processo, do aguentar ir, mas também saber voltar; do aguentar
a cair e depois subir humildemente; da consciência de perder mas depois saber ganhar; do
aguentar o fôlego embaixo d'água para depois respirar!

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

A vida é isso aí








Hoje, ao ouvir a música "Vida", de Milton Nascimento e Fernando Brandt, me lembrei das respostas que dei quando me perguntaram "que é a vida?" e "que é felicidade?". Nunca essas perguntas vinham uma atrás da outra. E nas minhas respostas nunca relacionei vida e felicidade. Mas, hoje ao ouvir "Vida", despertou em mim um novo entendimento das duas.

Agora não sei ao certo até onde vai a vida e até onde vai a felicidade. A vida não é mais a atividade cotidiana, corriqueira. Pensar em vida é pensar em felicidade. VIDA. Felicidade não é querer, não é desejar, é ser. Mais que ser, é ser da própria vida. Afirmar a vida é ser feliz. Estar na vida é ser feliz.

Não penso mais em momentos de felicidade que tive e em momentos de felicidade que poderei ter. Tá na cara que a felicidade é a vida que eu levo. O jeito que me coloco diante das situações, os meus pensamentos, as amizades que fiz e que faço, os amores que fiz e que faço, a família que tive e que tenho... tudo isso é minha vida. Tudo isso é minha felicidade.

Que é a vida? É isso aqui. Que é a felicidade? É o que eu vivo.


"A lua trazia no vento
Meus filhos e minha mulher
Amigos chegavam dizendo
Que a vida é isso aí"


Ouçam a música e vejam a letra! http://letras.mus.br/milton-nascimento/1308400/

terça-feira, 3 de julho de 2012

Poema da madrugada


Sarapatel Carnavalesco

Quem terminou foi ela, no carnaval.
Mensageira natural dos ácidos naturais
No dadaísmo central de toda manhã
do amanhã que vou esquecer

Por que a moda pós-moderna?
Vou fazer uma moda de viola
Na passarela do cosmos universal
na modalidade do modo anti-modal

A tensão e o relaxamento tonal me enjoam
Por isso que vou dar a volta no trio
Silibrina pra cá, silbrina pra lá
amo-te no carnaval, mas não na natura de cá

Por isso, vou fazer novos baratos
O alecrim aqui, já já minha ferida sara
Com o sarapatel morfado das noites de quinta
o martelo não me transtorna


Poema produzido em conjunto por Fábio Lima, Vitor Matheus, Diego Matheus e Daniel de Farias.





quarta-feira, 27 de junho de 2012

Artigo "Nietzsche e a música Dionisíaca"




Depois de um ano e meio sem postar nada aqui, eis que disponibilizo o link para o download do meu último artigo (feito em 2011.2). Quando é sobre algo interessante, artigo é massa! Esse foi sobre música e Nietzsche. Rendeu-me boas leituras e importantes reflexões sobre arte, estética e música! Em breve, postarei algum outro artigo interessante. Adios!!!

http://www.4shared.com/office/wz6H4Gh3/artigo_nietzsche_pdf.html

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

seguir o caminho



quando se deseja seguir o desejado, algo irá mudar. as relações antes estabelecidas podem se configurar sob nova forma - a transformação. num relacionamento, o futuro das vidas pode ser extremamente conflitante e doloroso para os mundos envolvidos. deseja-se ir para onde? cada mundo quer se sentir bem - a satisfação. obviamente, há de se esperar divergências.


como seguir um rumo sem machucar o outro? como não ceder às vontades alheias sem pesar?


sair de casa é se aventurar? a ida. o rumo pro novo.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

tradição e contemporaneidade



Qual são as necessidades de petrificar algo? ------------------------

O medo pode ser uma delas. Mas medo de quÊ? A rotina, a conservação e o previsível é interesse de muita pessoas. Que tipo de p es sso as? Não. Essa pergunta não existe. Todas elas tem interesse nisso.
A questão é a intensidade ou o gosto. Umas tem muito mais interesse em tradicionalizar as estruturas, as culturas, os movimentos, os pensamentos, etc. Para elas, o novo é fóbico. Medo do novo?

Será que isso, realmente, tem nec essi dad e?
Por que manter? É verdade que há algo que se perde quando se muda. Mas e os ganhos? Eles podem ser, no contexto, muito mais úteis e prazerosos que as benesses pré-mudança.
Então, é medo do risco?

Ser do nosso tempo é arriscar. Isso é estar preparado para a mudança.
É saber que dói quebrar paradigmas, tradições.
É saber que as coisas não são tão seguras quanto par ec em ser.
Todos nós precisamos ter algo seguro. Algo de concreto. Um chão.

Seria, portanto, o medo de perder o chão?

Digam!




terça-feira, 26 de outubro de 2010

Tempo de nós




Anos de convívio e horas de encontros
nos fazem rir por minutos dos dias
em que rimos das nossas simples palavras sobre o mesmo objeto e sujeito que é nós.

Agora também tem riso.
Pedro fala dos meses bons em minutos
junto com as risadas Marcelas, a alegria do Eu e a referência do fá tatuado lá no sul.

As sucessivas formações do grupo vem à tona quando lembramos da maldita guerra, do centro do universo e da punheta dos Ostras. Mas, isso não foi tudo.
Sem o contato cotidiano e incessante a memória ficaria restrita aos acontecimentos.
Estamos falando é de outra coisa.

Para além dos encontros, além das músicas, além das brigas, além dos sustos...
Estamos falando, há muito tempo, é de amor.

Isso quando o tempo fica junto de nós...
nos breves segundos de devaneios em meio à gordura e música no rei do hambúrger.



sexta-feira, 6 de agosto de 2010

À deriva



À deriva


Iniciar mais um recomeço de uma mesma meta
é chorar o tempo que passou
é, sobretudo, refulgar a tristeza do erro
A perda da meta é uma confusão

Selecionar as cenas da estrada que virá
é impossível quando se bóia
no mar que é o acaso, que é sorte
Derivar da meta é uma virtude

Deixar que a onda leve não é crer no destino:
é justamente o contrário
Querer derivar compate com o querer alcançar?

A vontade de realizar a meta
caminha ao lado do boiar sem rumo

no paradoxo que se estabelece em
deixar-se levar: à deriva

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Sem mar



Sem mar



Ah, assim não dá


Ah, dentro deste mar


Você não está cá


Perto de mim


Que graça isso tem?


O mar é tão vasto


Mas sem você ele vira uma espuma


O sentido vira um coral


Sem graça, sem água, sem cor


Sem gosto

domingo, 25 de abril de 2010

O quê precisa de título?




Quarteto Destitulado: o reflexo, a transmissão, o não-reflexo e a costura do título (idéia). O desafio é de natureza humana: construir um símbolo para um objeto que pode ser visto de inúmeros ângulos diferentes, por se apresentar como enunciação. Qual o processo de edificação de um título - sendo ele uma mera representação de um universo simbólico? A realidade de uma banda, assim como a de qualquer outra instituição, é igual a de um indivíduo: indefinida.


O reflexo.
Em qualquer processo de titulação há a busca por identificação. Ainda mais quando o processo é de auto-titulação. Buscar se enxergar no título, é de extrema ansiedade. O reflexo se estabelece, portanto, como necessidade de se garantir uma aparente segurança.


A transmissão.
A avidez por querer comunicar aquilo que desejamos nos ronda. Queremos que nossa mensagem seja recepcionada, mas não de uma forma pré-estabelecida. Até porque nossa mensagem - o som - não permite uma previsibilidade na recepção. O título serve de acessório para a mensagem do som. Desejamos apenas transmití-lo.


O não-reflexo.
Como um obstáculo superável e construtivo no meio do caminho, o não-reflexo se estabelece. Ao mesmo tempo que queremos um título que nos identifique, surge uma força antagônica ao reflexo. Ela é construtiva justamente por nos alertar que esse processo rotulatório é dialético e inseguro. Nós não somos só o nosso reflexo. O não-reflexo nos guia para a estruturação do título.


A costura.
Eis a filosofia: estruturar o título. Costurá-lo, remendá-lo. A idéia que nos resta é dar um título que transmita o "nós". Algo que não tem título, pois o título limita. Quarteto Destitulado.










quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Por uma verdadeira humanidade




"Nunca existiu humanidade. Estamos fazendo os primeiros ensaios do que será a verdadeira humanidade."
Milton Santos, 2001

"A história de todas as sociedades até agora tem sido a história das lutas de classes."
Marx e Engels - Manifesto Comunista, 1848



A humanidade como comunidade de humanos nunca existiu, por isso não se pode dizer "história da humanidade", e sim história das lutas de classes. O verdadeiro sentido da humanidade é inexistente em nossa sociedade global capitalista e, sobretudo, inexistente em qualquer sociedade passada, pois a notória divisão das sociedade em classes econômicas e sociais tem como resultado inevitável uma segregação que tem uma lógica individualista - baseada nos interesses da classe que domina.


Desde a existência do Estado e do Direito - os pilares para fortalecer o modo de produção de uma civilização - a humanidade foi extinta. A dominação de uma classe através da apropriação material se deu sob uma ótica anti-coletiva e reprimiu aqueles que se tornavam subalternos pela exploração dessa classe. Um breve estudo das formações sociais revela o quão é perverso o sistema essencial de segregação do homem pelo homem e as suas respectivas lutas de classes, pois são geradas em razão de cada sistema, de cada formação social. A vitória da classe oprimida em cada formação social dá origem a uma síntese que repudia todas as formas de exploração de uma determinada formação social. As lutas entre o escravo e o seu senhor, entre o súdito e o seu monarca e entre o operário e o seu patrão burguês são reveladas pela história, sob uma perspectiva dialética, para a fundamentação de uma teoria de que não houve e não há humanidade.


As formações sociais se superam, comprovando a dialética história, mas a exploração e a ótica individualista de cada classe dominante permanece sob formas contextualizadas e, sobretudo, diferentes, que empurram a implementação da verdadeira humanidade para a formação social posterior. Milton Santos, ao analisar em várias de suas obras o processo de globalização capilista que se matura após a queda do Muro de Berlim em 1989, teoriza que a globalização é um processo de dominação global, em que o Estado social se definha em detrimento do Estado econômico que se alia com as multinacionais para estabelecer a perversa competitividade imperialista global. Com isso, para fortalecer essa aliança econômica, o consumo é o grande fundamentalismo da cultura midíatica para conduzir os países do terceiro mundo e suas massas populares a fomentar essa hegemonia, essa classe dominante global. O resultado é o extermínio das culturas populares, a satanização e criminalização dos movimentos sociais que servem de interjeição à lógica do capital e a não formação de um cidadão como sujeito de transformação social e sim a reprodução em massa de consumidores, que se alienam com os fetiches e privilégios que o capitalismo oferece a quem os contempla. Essa análise de Milton Santos permite entender como a ordem mundial hoje, propagandeada ideologicamente pela mídia e alicerçada num grupo dominante econômico, afasta o sentido de humanidade em escala global.



Hoje, a única possibilidade de formação da verdadeira humanidade calca-se na vitória da classe oprimida sobre a classe dominante. A formação social que se fundamenta desde o século XIX, composta pelo modo de produção capitalista, gera, como qualquer formação social já existente, a sua própria luta de classes: a luta entre a classe operária e a classe burguesa. Crer na vitória da classe operária através de revolução é a única saída humana do capitalismo para o sistema socialista, visto que a derrota do governo burguês, o fim da propriedade privada dos meios de produção e o extermínio da exploração de classe é a antítese da ordem dominante atual para a síntese de uma nova ordem, calcada no verdadeiro sentido da humanidade.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Por que valorizar as Ciências Sociais?


Para começar o ano de 2010 com uma reflexão (dialética, de preferência) e até chegar num debate, lanço esta pergunta: por que valorizar as ciências sociais? É claro que alguns vão ler o título do post e vão saltitar os olhares, assim como os mais puristas vão sentir falta de uma análise mais aprofundada e mais acadêmica. Para estes, digo que estou de férias e só quero escrever informalmente e, para aqueles que não vão ler, sugiro que leiam, pois é para esse público que eu vou escrever.

A questão da escolha acadêmica é muito subjetiva para muitos que não tem em mente uma proposta de transformação da sociedade em que vivemos, pois, para quem tem a transformação como meta, nada melhor que se inserir nas Ciências Sociais, que tem como principal objetivo instruir na mudança. Eu percebo que a maioria dos pré-vestibulandos da classe média e alta encaram o vestibular e, consequentemente, o curso escolhido como forma de competição visando um imediato e futuro prestígio. Imediato porque a aprovação em tal curso e em tal universidade vale mais que tudo naquele momento do resultado e futuro porque aquele curso vai dar uma base econômica e psicológica após a conclusão e, por conseguinte, o prestígio vai se estabelecer. As Engenharias, o Direito e a Medicina se fundamentam como os medalhões do vestibular justamente por representarem uma proposta de prestígio social, pois a ascenção econômica é "garantida". As Ciências Sociais, por sua vez, se tornam subalternas e menosprezadas num vestibular que segue os ditames do mercado e do conservadorismo. A escolha no vestibular é moldada a partir de valores econômicos que se resultam em prestígios, por isso fica difícil para aquele vestibulando que tem uma proposta de transformação social seguir num curso que lhe corresponda num sistema tal como é: guiado pelo mercado.

Tendo como primeiro obstáculo às Ciências Sociais o vestibular, todos os outros obstáculos se resumem à falta de ímpeto revolucionário à juventude que se conforma com a violência, com o desemprego, com a pobreza, com a mortalidade infantil, com a criminalidade como forma de sobrevivência nas massas populares e que possui maus olhares à Che Guevara, à Karl Marx, ao MST e a todos os atores que desejam uma mudança verdadeiramente não-reformista no quadro social. Valorizar as Ciênciais Sociais não é simplesmente cursar um de seus cursos na universidade, é, antes de tudo, querer apoiar e incentivar aqueles que se comprometem com a luta do povo contra a elite e que poderá oferecer uma vida mais humana à grande parte de sociedade. A valorização às Ciências Sociais se tornará eficiente quando diminuir o número de pessoas que se autoalienam em prol de um conforto e bem estar individual para darem valor a um discurso coletivo e não segregador.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

O Direito como perversidade e como utopia





A prática e a doutrina da ciência humana do Direito - que para muitos é normativa e para outros muitos nem ciência é - demonstra, hoje, sua anomalidade e perversidade como síntese de um processo dialético na história. A formação da cultura e do profissional jurídico no Brasil esteve arraigada em princípios conservadores, individualistas, liberais-burgueses, e por causa disso o Direito se tornou anti-social, por não representar e nem enxergar o povo no seu arcabouço burocrata, que inclui o vocabulário defasado. É triste perceber esses traços que geram inúmeras perversidades e que foram implantados no Brasil-colônia aqui conosco em pleno 2009: nas faculdades de Direito, no exercício jurídico em suas variadas facetas, na política partidária dos juristas e no imaginário acrítico do povo. A tradição jurídica desvinculadas de atitudes mais comprometidas com a vida cotidiana e com uma sociedade em constante transformação é um levantamento de pura perversidade aqui no Brasil. A postura técnica e casuística fecha-se frente ao dinamismo dos fatos e resiste a um direcionamento criativo, não conseguindo mais responder a novas necessidades. O exercício do Direito como algo supremo, chique e exclusivo para poucos é um embargo à realidade social, visto que, por esse e por muitos fatores, a Sociologia jurídica como matéria ineficaz e desvalorizada nos cursos de Direito e a práxis social é atividade alheia à maioria dos juristas e, principalmente, dos magistrados.
Há de se repensar o exercício da prática jurídica, certamente como utopia, tendo em conta uma nova lógica ético-racional, capaz de encarar a produção dos direitos como inerentes ao processo histórico-social, um Direito que transpõe os limites do Estado, encontrando-se na práxis social, nas lutas cotidianas, nas coletividades emergentes e nos movimentos sociais. Há de se perspectivar um novo Direito, junto com uma nova racionalidade e prática jurídica, pois não há de se conviver muito tempo com esse insustentável Direito alienado e alienante!

sábado, 10 de outubro de 2009

Nem Lula, nem Obama, nem o MST...


Nada de mais bizarro que ler frases de Lula e saber do ganho do Nobel da Paz de Obama pode acontecer hoje. Ou, pelo menos, ao decorrer da semana que vai se iniciar. Primeiramente, leio uma nota pequena no jornal A Tarde de hoje em que Lula criticou o "ato de vandalismo" do MST - no qual foi derrubado pés de laranja numa fazenda invadida pelos ruralistas sem-terra. Segundo ele, foi um ato de vandalismo e não uma manisfestação de cobrança. "Pode demonstrar sem fazer destruição de máquinas e nem de pés de laranja", disse ele.


O MST é um grupo de pressão. É um grupo de fudidos que não têm terras para produzir e nem para morar, por isso pressionam o Estado para que se efetue os assentamentos da reforma agrária que está prevista em lei. A reforma agrária está prevista em lei. Lula, ao encerrar seu discurso sobre o "ato de vandalismo" dos sem-terra, nos relembra que este país tem constituição e leis que precisam ser cumpridas. Notoriamente, ele se referia a leis de proteção e defesa da propriedade privada - em que todos devem respeitar a propriedade privada alheia. Engraçado. Nessa horas de contradições sempre penso em Marx: em todo argumento, toda teoria, há sua contradição. Lula se auto-criticou. Se a reforma agrária está prevista em lei, ela deve ser cumprida. Se não é cumprida, o MST vai continuar pressionando e descumprindo leis que se referem à propriedade privada (a terra, no caso) até que a lei se assente. É compreensível o "ato de vandalismo" dos sem-terra, mas, obviamente, não é o ideal. Simultaneamente, considerando-se a formação social e ética do nosso país, é compreensível o descaso dos políticos com os pobres e sem-terra. Não chega nem um pouco a ser prudente, quanto mais a ser ideal.


Em seguida, leio sobre o prêmio Nobel da Paz. Obama ganhou por representar uma atividade de diplomacia entre os países do mundo, dissipando a paz. Nada se falou sobre as bases militares americanas espalhadas no mundo. Nada se falou sobre as tropas militares no Iraque. É lamentável, diante de tantos ícones mundiais que receberam esse prêmio como Mandela, assistir à essa palhacada. Realmente, deve estar faltando gente que represente e promova a paz neste mundo, porque Obama não chega aos pés de alguns merecedores desse prêmio.


Nem Lula, nem Obama, nem o MST deveriam ter ganho o prêmio Nobel da Paz. Desta vez, considerando a falta de ícones e representantes públicos mundiais dignos de receber o prêmio, receberíamos nós: a sociedade civil, o povão alienado. Nós, realmente, somos inativos no sentido de mudança das situações diversas que, aparentemente, nos afetam. Seríamos nós os ganhadores do Nobel da Paz. A paz no sentido da tranquilidade, da conformidade, da pacífica solução que não efetuamos até hoje - provavelmente, nunca será efetuada. É um mérito pela alienação nossa de cada dia, que pacifica nossas atitudes com relação à injustiça social e indignação com os fatos absurdos que nos circundam.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Educação, sobretudo.

A educação é uma prática social. A educação é uma atividade cultural. Qualquer forma de educação tem a sua explicação e origem na sociedade. Tem origem, portanto, no homem e nas suas relações. Enfim, a educação é um produto humano, que está sujeito a subjetividades e, consequentemente, a interesses. Muito se discute hoje, e sobretudo hoje, sobre a educação. Imediatamente (infelizmente) restringimos à tríade educação-escola-ensino e a discussão se pauta nas políticas públicas de incentivo ao professor - como hoje se veicula nas políticas propagandísticas do MEC -, no investimento em cursos tecnológicos nas universidades e na disponibilização de símbolos de inclusão social nas escolas públicas - como o computador. Será mesmo essa a abordagem que realmente contribuirá para a melhora que o senso comum deseja para a educação? Caminhar por complexidades não faz parte dos excercícios do senso comum - quanto mais o do brasileiro.


Para ser mais direto, vou logo tratar de um tema que, particularmente, me interessa. Programas de reforma na educação brasileira estão sendo articulados e suas iniciações já estão sendo efetuadas. A proposta de extermínio do vestibular é um dos programas, inclusive partidários, que se "fortalece" no país. As cotas, por sua vez, é justamente a iniciação aos objetivos maiores que o MEC propõe junto com o fortalecimento do ENEM. Bom. A Universidade Federal da Bahia iniciou ano passado cursos interdisciplinares: os famosos BIs. Teoricamente, esses cursos são direcionados a todos aqueles que pretendem ampliar o seu conhecimento sobre as quatro áreas do conhecimento que a UFBA ditou: Humanidades, Saúde, Artes e Ciências e Tecnologias. Este ano a maneira de ingressar nesses cursos é através do ENEM. Sem críticas gerais e oportunistas, há de se valorizar essa iniciativa, pois é uma proposta de estruturação do conhecimento, visto que há a necessidade imensa de estruturá-lo - mesmo sendo só pós ensino médio. Para os estudantes que vieram de escolas públicas, todos sabem que essa prática é necessária. Poucos entedem que o estudante que veio de escola particular - incluindo o Módulo, o Anchieta e os demais - não possuem uma visão ampla sobre o que é o conhecimento e qual a postura que se deve ter para adquirí-lo (porque o que se aprende nesses colégios não é durável e a instrução sobre os cursos universitários e suas atuações, piorou; outro dia ouvi de um estudante de um desses colégios que fazer jornalismo é igual a morrer de fome). Daí está a importância dos BIs: instruir!


Mas, é natural a aversão a qualquer fato que venha a remexer ou revisar nossos costumes. O preconceito que o próprios cursos interdisciplinares e seus estudantes passam, é de se refletir. Alguns pensam que o diploma não vai servir pra nada (assim como pensam do jornalismo). Outros pensam que estudar de maneira interdisciplinar é mesma coisa que estudar o nada, pois pensam que o processo de conhecimento deve ser linear e restrito à somente uma faceta de uma área científica. Enfim, os pensamentos são vários, mas todos com maus olhares aos cursos. Olhares conservadores, eu escrevo. Olhares hipócritas, eu penso. Sabe o por quê? Porque todos têm uma sensação de responsabilidade social, de responsabilidade individual. Todos escreveram, em pelo menos uma das redações no colégio, que, de formas variadas, a educação precisa ser repensada, ou que a educação no Brasil está ruim. E agora estão jogando tudo o que escreveram no lixo. Críticas desconstrutivas ao BI não chegam mais aos meus ouvidos com um pingo de consideração. A educação merece discussões mais aprofundadas; Merece discussões que ultrapassem a impropérios preconceitos e conservadorismos.




quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Multifacetadas particularidades capitalistas


Hoje, sérias questões decorrem da apropriação dos meios de produção e da falta de regulamentação do mercado capitalista neoliberal, pois a crise nos remete a esse germe trágico que a sociedade produziu durante o processo histórico. A crise econômica, que abala a esfera político-social dos Estados, é fruto da propriedade privada dos meios de produção. A particularização da propriedade - quando se fala em propriedade, é propriedade produtiva, é o meio de produção - foi a salvação da burguesia na Idade Moderna como classe explorada diante à realeza absolutista, que fazia parte da nobreza. E desde essa época até hoje, a propriedade privada dos meios de produção está consolidando o espírito capilista que se dispersa e corrói como um vírus as sociedades civis, as culturas populares e as unidades econômicas dos Estados através do moderno processo de globalização. Por isso que hoje, ao se discutir a crise devemos analisar a dialética da história humana para perceber as intenções e ideologias que se tornaram fundamentais para esse abalo econômico. A crise não só se restringe à esta que presenciamos hoje e nem à de 1929, mas sim à crise estrutural do sistema capitalista.


Egoísmos econômicos e políticos traçaram a história do capitalismo. A superprodução, o superlucro e a frágil regulamentação econômica do Estado são os maiores exemplos desses egoísmos burgueses. Eles demonstram a excessiva individualidade dentro de um processo que determina a vida social da população: a produção. Produzir para quem? Como produzir? E quanto produzir? Essas são as diretrizes da atividade econômica de um país. Elas são encaminhadas por uma pequena parcela da população que detêm os meios produtivos e que nem sequer reconhecem a alteridade nas suas atitudes. O outro vem a ser, literalemente, o outro: que não é você e, portanto, não faz parte de você. A produção vem a ser fruto dos interesses de superlucro dos burgueses e se institui a valorização produtiva dos produtos lucrativos, que, predominantemente, são supérfluos. Os produtos que são necessários, porém, não atrai o consumo tentador e, portanto, não são lucrativos.


Prudentes e otimistas são aqueles que vêem o capitalismo numa ótica de insustentabilidade: o capitalismo é insustentável e, por isso, que nós - consumistas alienados - temos papel importantíssmo, senão o maior, na manutenção e fortificação desse sistema neoliberal. A ruína do capitalismo sustenta-se justamente na produção. A exacerbação da oferta gera diminuição da procura, pois a capital da oferta é acumulado pela exploração do trabalho da população consumista, fazendo com que a desigualdade entre o patrão e o empregado se reflita na oferta e na procura econômica. Está é a insustentabilidade do capitalismo: quanto mais ele se fortalece, mais cava o seu próprio buraco. É por isso que hoje, o capitalismo, com a sua inteligência maquiavélica, não é tão vulgar e grosseiro a ponto de produzir sua falência, ao invés do superlucro.


A solução para o quadro vulgarmente apresentado acima é justamente o oposto do mesmo: ao invés da propriedade privada dos meios de produção, insitucionaliza-se a propriedade social dos meios de produção; ao invés do individualismo, o coletivismo; ao invés da produção de superflúos geradores do superlucro, a produção de necessidades sociais, etc. A grande questão é o pensamento interdisciplinar da sociedade, é o pensamento em todas as facetas sociais para se poder resolver as carências gerais e poder atingir a felicidade mútua com abundância para todos.

Qualquer semelhança com as idéias marxistas não é mera coincidência.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Atos secretos


Penso que todo mundo deve estar sabendo da baderna e da falta de respeito que está acontecendo e que, na verdade, sempre aconteceu no cenário político do país. É engraçado perceber que a força desse desrespeito, que se originou teoricamente no Senado, atinge toda a estrutura de um sistema presidencialista de governo que é o nosso. Na teoria, a independência dos três poderes é uma das características do sistema presidencialista. As causas maléficas dessa independência não entram em discussão aqui, embora seja uma das fontes da desorganização dos países presidencialistas - isso inclui, e muito, o Brasil. O fato é que essa característica tão valorizada por corruptos se desmantelou durantes alguns momentos da história do país e se desmantela agora. José Sarney. O ex-presidente da república que governou o país e o Estado sob a constituição de 1988: a constituição democrática, agora é acusado de nepotismo e de atos secretos irregulares. É pior que uma contradição, é um paradoxo.
A ratificação de que há personalidades ao invés de princípios, principalmente na atividade política, é prudente nesse momento. José Sarney, considerado por alguns "muito velho para sair do cargo", é um senhor patrão. A força que o "dono" do Maranhão tem na política é absurda, pois faz com que os seus atos secretos sejam arquivados na maior facilidade e com o maior apoio dos amiguinhos políticos. Faz também com que seus amiguinhos - esses não são políticos mesmo - assumam cargos que eram pra ser concorridos ou nomeados por outras pessoas da atividade política. Sua força não condiz, porém, com a sua atitude silenciosa e secreta. Nessas horas, a força de enfrentar a verdade, de se redimir e de largar o cargo não existe.





sexta-feira, 26 de junho de 2009

Só pra variar




Em meio a esse respaldo moral oriundo do turbilhão de fatos que ocorreram nas (minhas) últimas semanas, eu estou em São Paulo escrevendo neste início de noite fria ou comendo um baguete na Augusta. Respaldo moral porque mexeu com tudo o que me pertence mentalmente: meus valores, meus princípios, minha fé, minha consciência, meu ego e o meu super-ego. Primeiro - pra começar arrebentando meus tímpanos: o diploma de jornalismo é dispensável para o exercício da importantíssima profissão do jornalista - um comunicador social. Comunicador social. Saber o que se passa verdadeiramente dentro e fora da sociedade é de muitíssimo grado diante à alienação em que se encontra o povo - brasileiro. Essa é a notícia. Mais importante ainda é ler uma opinião crítica de análise sobre os fatos noticiais. O jornalista também tem opinião - e como tem. Todos com análises diferentes e uns, porém, com conservação e outros com movimento. Essa é a opinião através da análise, que se faz através do conhecimento do fato. É, portanto, triste que o Supremo Tribunal Federal e o seu carrancudo presidente Gilmar Mendes, tenham legalizado essa injúria que é dispensa do diploma de jornalismo.
Segundo - não é trágico como o primeiro fato, mas também não é de todo bom: o encerramento do primeiro semestre da minha faculdade de Direito, junto com o trancamento. Eu não quero trabalhar com Direito, mas acho o curso um poço de análises sociais. É por isso que vou trancar o curso no primeiro semestre para fazer o que me chama: a comunicação. Mas, o primeiro - não sei se será o último - semestre de Direito foi muito bom. Sabem o que é pertencer ao mundo? Não sei se é essa a sincera síntese do semestre, mas foi isso que eu senti. E não pensem que foi Direito que eu comecei a aprender, não. Foi muito mais do que isso. Foi Ciência Política, foi Economia, foi Antropologia, foi Filosofia e foi Teologia. Fiz questão de escrever matéria por matéria para transmitir o meu aproveitamento do semestre. Esse semestre foram acréscimos grandiosos à minha cognição e à minha moral. Há algumas semanas ele acabou. Foi bom. A gente ganha, a gente cresce.
Terceiro - o menos impactante, mas mexeu: o descaso com o condomínio. Eu fui para a reunião do meu futuro prédio e presenciei a falta de coletividade dos meus futuros vizinhos. Coisas como pensar só na varanda do apartamento, sabe? Pois é, é fato. As pessoas não vêem o condomínio como ele é escrito e como ele deve ser - que dá no mesmo. Não é domínio. É condomínio. Não é só seu. É de todos. Um exemplo desse descaso com o condomínio é a última posição temporária do boleto do condomínio na ordem dos pagamentos. É por esses e outros motivos que o dia do comunismo será adiado, definhado...
E na espera desse dia comunista, na espera da iluminação na mente de Gilmar Mendes e cia., na indiferença racional, na maciota é que vou passando mais um dia de inverno aqui na selva de pedras que é São Paulo. E haja frio...

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Efeito globalização



Foto: Lorena Vinturini


Têm dias que eu fico assim... Indiferente. Fico desinteressado pela vida. O que aciona a minha indiferença nesses dias é a opinião dos outros. Tenho relações com as mais variadas personalidades humanas e sempre procuro entendê-las e respeitá-las. Mas quando ouço opiniões diferentes das minhas em certos assuntos, eu realmente me decepciono. Sei lá. Não quero que as pessoas pensem que nem eu não, sério. O problema é que certas idéias parecem tão lógicas e coerentes para mim que estranho as idéias diferentes às minhas. É meio que um "idealcentrismo". É natural estranhar os ideais alheios, as opiniões alheias, mas nem sempre externalizamos isso. Quando externalizamos, estamos refutando, contra- argumentando. E são nessas horas que a minha indiferença surge. Quando refuto, é porque minha opinião não admite a opinião do outro. E isso só acontece quando o assunto é importante para mim. Quando descubro opiniões contrárias à minha sobre esses assuntos, eu verbalizo. E depois que refuto, tento convencer que a minha opinião está certa. Quando não consigo, fico indiferente. Fico desistimulado com os ideais humanos. Entro na minha indiferença e fico calado. Pensando. Pensando. Pensando que a minha opinião é única e que existem milhões de outras opiniões. Cada qual com justificativas diferentes. E então eu fico com preguiça de pensar, fico com preguiça de omitir mais alguma opinião. Parece que o mundo é um fervilhão de pensamentos e que é difícil extrair dele um consenso
entre os Estados. Efeito globalização... Tudo uma questão de opinião!

sábado, 16 de maio de 2009

Saideira infinita



Há tempos que eu conheço a Cascadura - na verdade, nem tantos assim, pois seria o Dr. Cascadura. Mas, para a minha idade de bebê no rock n' roll - minha idade é quase a idade da banda -, os três anos que ouço Cascadura não é pouca coisa. Comecei a ouvi-la no primeiro ano colegial, quando meu amigo Argôlo me apresentou a banda com uma coletânea que ele gravou num cd. Ainda não tinha saído o Bogary - eu acho - e as músicas do cd eram, na maioria, do penúltimo álbum da banda: Vivendo em Grande Estilo. Retribuição. Sparkle Girl. A Mãe da Garota. Ave maria! Eu, que comecei a ouvir rock com bandas internacionais - Nirvana, Metallica, Guns n` Roses e Deep Purple -, não conseguia entender como uma banda daqui de Salvador poderia ser tão boa assim. Cabeça fechada de adolescente enlatado - até hoje sou um pouco assim na música, bem mais tênue, claro. Eu poderia dizer que foi com a Cascadura que eu comecei a me interessar pelas bandas de rock aqui da cidade e, posteriormente, as do Brasil. Eu pensava: Porra! A poucos quilômetros de distância da minha casa vai ter um show de rock, aquele rock que ouço nos cd's. Isso... Então eu ia! Acho que o período que eu mais fui pra shows até hoje na minha vida foi no segundo ano colegial, em 2007. Eu me enfiava nas casas de show embaixo da terra (ou da cena: underground) nos fins de semana enquanto meu amigos iam aos barzinhos tomar uma e paquerar, iam ao cinema com meninas - desconhecidas ou não- e quando iam pra shows, iam pra shows em cima da terra (ou da cena: "aboveground"). Foi a Cascadura, portanto, que me abriu caminhos para o interesse do mundo musical underground de Salvador.
Quanto àquele cd que Argolo me deu, o resultado auditivo foi sensacional. Além de ter músicas do Vivendo em Grande Estilo, também tinham músicas do primeiro e do segundo cd, tais como Nicarágua. "Quando eu chegar na Nicarágua, mando um cartão-postal pra ela (...)". Esse refrão era, e ainda é, magnífico. Arranjo simples, vocal simples, tudo simples... A forma que os deixam maravilhosos. Eu, que estava acostumado a ouvir no rock aqueles ruídos de guitarra que pareciam deixar a música complicada - mas, na verdade, a deixava suja -, me encantei pelo poder da forma musical que as músicas daquele cd tinha.
Contei um pouco da minha relação inicial com a Cascadura para contar do show que eu e - adivinha quem? Argôlo! A-ha! (sic) - fomos ontem lá no World Bar. Acabamos encontrando um velho amigo nosso no show também: Felipe. Ontem foi sensacional! Não estava nem ligando para o som - que não estava muito bom -, tava relembrando da época que eu comecei a ouvir a banda, da época que eu escrevi acima. Foi um misto de alegria e nostalgia. Músicas fantásticas e melódicas... E Fábio cantando com todo aquele jeito Creedence de cantar! E mais que isso: com todo o seu amor pela Cascadura, que está tatuada na sua pele. Ontem, vivi momentos fanstásticos com a primeira saideira (haha) da Cascadura. Eles vão encerrar a turnê do Bogary para produzirem cd novo e um dvd. Acredito que é a hora mesmo. Ainda pode-se extrair muita coisa boa dessa banda. A saideira acaba, mas não acaba. As músicas do Bogary e as do outros cd's sempre estarão na memória de todos que admiram a Cascadura. Estou esperando pelo cd novo da banda que me iniciou um período da minha vida, não só musical como também psicológica e ideológica. E que seja bom!