sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Humanize-me!




Em pleno mês de novembro, faltando algumas semanas para a segunda fase da federal, Rambo faz um apelo a Argôlo. Estávamos assistindo à aula de Português e fazendo algumas questões de interpretação de texto quando Rambo exclama: “Argôlo, por favor, me humanize!”. Ele estava do meu lado e tinha acabado de errar a questão que ele demorou um tempinho para fazer e que, diga-se de passagem, ele fez resmungando. Dizia que não tinha a mínima vocação para fazer questões subjetivas de português e ainda mais aquelas que têm um cunho social de proteção aos oprimidos. E, para concluir, desabafou: “Eu não tenho a mínima paciência para pensar nessas coisas humanas e subjetivas, eu quero coisas exatas, óbvias!”
Argôlo, portanto, riu. Eu também. Porra... Querer humanizar um menino de 18 anos para a prova da federal, que é daqui a uma semana, é uma missão impossível e extremamente relativa. O que é humanizar? Argôlo é humanizado? Eu sou humanizado?
Nós sabemos o que significa, mas não conseguimos expressar o conceito certo. Uma coisa, porém, é certa – ou melhor, óbvia. Para fazer a redação e responder às questões de português da segunda fase da federal é necessária uma visão humanista. Mas, como nem todo vestibulando tem uma visão humanista e até mesmo nem sabe do que se trata, os professores “ensinam” essa visão na sala de aula. O professor de redação tem um papel fundamental, que é abrir nossas cabeças para pensar no ser humano. E, na verdade, o que acontece é que os alunos “aprendem”, na sala de aula, o que seria essa visão humanista do mundo, mas, não incorporam na vida. É um aprendizado bem efêmero, como o quase todo passado pelos professores durante este maravilhoso terceiro ano escolar.
Sim, a resposta de Argolo foi interessante. Ele respondeu aconselhando Rambo a escrever na prova tudo o que ele acha errado. Foi uma resposta bem grosseira e radical - para falar a verdade, Rambo não é esse crápula todo – mas, foi engraçada. Tirando todas as coisas que ele preconizada e pensa – desde a reencarnação de Robespierre e de Plínio Salgado até a aversão ao Estado Comum -, ele usou uma camisa de Che Guevara há uns dias atrás. Não estou julgando ele por isso, mas já é um avanço... Acho que Rambo um dia irá se humanizar, ou não.


3 comentários:

Unknown disse...

esse "ou não" no final foi decisivo! haahha :P

felipe disse...

sacana!

Unknown disse...

cada dia você me surpreende mais
esse garoto tem futuro
abração seu playsson!